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SANTUÁRIO DE SANTA EUFÉMIA EM PENEDONO – Vivência da Fé

SANTUÁRIO DE SANTA EUFÉMIA EM PENEDONO – Vivência da Fé[1]

 Aclamada de forma unânime como a maior e principal romaria da Beira-Douro, Santa Eufémia de Penedono tornou–se ao longo de décadas um verdadeiro fenómeno de Fé e Devoção.

A sua Vida singular e os seus ensinamentos são transversais não só às sociedades Beirãs e Durienses, apelando também à mobilização de milhares de peregrinos oriundos de outros pontos do País.

Explicar a dimensão desta manifestação de Fé pode e deve ser feita sob diversos prismas.

Comecemos pela Fé propriamente dita, a Crença na Virgem Mártir, que desde há muitos seculos é solicitada por muitos em momentos de agonia e de desespero. São muitos os relatos de verdadeiros milagres atribuídos a Sua Santidade, constando no seu Santuário alguns desses testemunhos sob a forma de quadros e pinturas.

A Fé consiste na capacidade de acreditar em algo, e embora não exista uma pretensa prova cientificamente comprovável, despoleta em nós toda a espiritualidade e crença de que uma força transcendente supera as forças do Homem, capaz de o aproximar a Deus e a render-se a seus desígnios. Falar de Fé é também falar no amor ao próximo, é acreditar nas provas de vida de Santidades que abdicaram de uma vida egocêntrica para servirem a Deus, e deste modo tornarem-se exemplos de caminhos a seguir rumo à felicidade e à realização cristãs.

Santa Eufémia enfrentou os genocidas dos seguidores de Deus e de Cristo, colocou a sua Fé e convicção acima de qualquer interesse pessoal, evidenciando em todo o seu esplendor o verdadeiro sentido de Fé e de Amor a Deus. É este exemplo de vida que é seguido por milhares de peregrinos todos os anos nos dias 15 e 16 de Setembro. Crentes provenientes de diversos pontos do País, com clara incidência nos concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Mêda, São João da Pesqueira, Tabuaço, Moimenta da Beira, Tarouca, Trancoso, Aguiar da Beira e Sernancelhe, que respondem ao apelo da Virgem Mártir e rumam a seu Santuário para prestarem a devida homenagem.

Citando uma história concreta e real que teve lugar nos pretéritos dias 15 e 16 Setembro deste ano de 2014, um peregrino oriundo de Nagoselo do Douro, concelho de São João da Pesqueira, realizou todo o percurso desde a sua povoação até ao Santuário de Santa Eufémia a pé (mais de 30 Km), transportando uma cabaça com moedas recolhidas junto da população de Nagoselo para oferenda à Virgem Mártir. O peregrino em questão, que pernoitou nas imediações do Santuário do dia 15 para o dia 16, para além do transporte da pesada oferta, tinha também por promessa pegar no andor de Santa Eufémia durante a procissão em sua honra, que por sua vez esteve em risco de se realizar dados os condicionalismos meteorológicos.

São estas provas de Fé, que apesar da evolução dos tempos e do encurtamento de distâncias, optam pela via mais difícil para chegarem até Deus, até Santa Eufémia, abdicando do conforto dos dias de hoje e colocando o seu próprio sacrifício ao serviço da causa religiosa.

A tradição não pode ser descurada num fenómeno religioso que se tornou tão afamado. Sendo a romaria de Santa Eufémia uma festividade de cariz essencialmente religioso, está também patente o convívio saudável que existe no seu renovado e dotado espaço adjacente ao Santuário, que entretanto fora sujeito a algumas intervenções de embelezamento e melhoria de funcionalidades.

Famílias, grupos de amigos e conhecidos, embebidos num espírito de Fé, reservam estes dois dias do ano para encontros que comungam a Fé e o convívio num só Espaço. Para além das tradicionais barracas com as iguarias de circunstância, muitos usufruem do território amplo em redor do Santuário e confeccionam as suas próprias refeições. Nem as intempéries nem a azáfama vivida nesta altura do ano na região do Douro com as vindimas, constituem um obstáculo à Chamada de Santa Eufémia, sendo que muitos Peregrinos interrompem a sua actividade laboral para estarem presentes nas celebrações em sua Honra.

Existem algumas curiosidades em redor da Fé e Devoção dedicadas a Santa Eufémia. Não existe nenhum padrão que caracterize o seu Peregrino, ou seja, estamos perante um fenómeno que abrange Homens e Mulheres indiferenciadamente, de várias faixas etárias, pessoas com diferentes visões da Igreja e da prática do Catolicismo.

Fica a certeza, que caso Deus assim o entenda, no próximo ano cá estaremos para que possamos prestar a devida e merecida homenagem a Santa Eufémia.

Verónica Martins Coutinho



[1] In: Jornal Voz de Lamego de 21 de Outubro de 2014, ano 84/43 nº 4285.

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