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História do Santuário

História do Santuário da Virgem Mártir Santa Eufémia em Penedono

São muito poucas as fontes escritas para que se possa fazer uma história do Santuário da Virgem Mártir Santa Eufémia de Penedono, até ao momento nada se escreveu sobre este santuário tendo por base uma investigação séria e documentada, também não é esse o nosso objectivo, mas apenas dar umas pinceladas daquilo que as fontes existentes nos dizem sobre este lugar.
A 18 de Janeiro de 1758, durante o reinado de D. José I, um inquérito do marquês de Pombal, é remetido pelos bispos, para todos os párocos do reino, com interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755.
É na resposta, do abade encomendado da paróquia de São Salvador de Penedono; António da Cruz Figueiredo, a esse inquérito, hoje conhecido como “Memórias Paroquiais”, que encontramos a primeira referência ao Santuário da Virgem Mártir Santa Eufémia de Penedono, uma vez que o santuário estava sob a alçada da sua paróquia, sendo esta talvez a melhor e mais antiga fonte com dados sobre o santuário.
O abade António da Cruz Figueiredo depois de fazer a descrição da paróquia de São Salvador de Penedono apresenta com grande rigor a descrição da “formosa, grande e admirável capela com uma perfeitíssima e milagrosa imagem de Santa Eufémia”, começando por dizer que ela está situada a “um quarto de légua, em cima com vista, junto a um monte aonde chamam a Serra de Compeltim para a parte do Poente.
Já em 1758 é “esta sagrada imagem de uma das maiores devoções que há nestas vizinhanças, por quanto em todo o circuito do ano há muita concorrência de romagem de freguesias muito distantes e remotas, aonde todo o género de males por virtude da mesma Santa se extinguem.”
Depois, apresenta a descrição do interior da primitiva capela: “Tem a dita sagrada imagem uma grande e espaçosa capela com três altares e uma ornada e bem dourada tribuna, no camarim da qual se acha a dita imagem.
Esta imagem de santa Eufémia serve já em 1758 de “terno brasão de toda esta vila ou para melhor dizer de toda esta província e bispado, ali tantas mortalhas oferecidas, como troféus memoráveis da morte, em tantos conflitos destroçada, testemunham-no tantas muletas penduradas, como padrões imortais do movimento em tantos aleijados e paralíticos restituídos; comprovam-no os inumeráveis enfermos de todos os achaques; os pretendentes sem casta em todas as matérias desta vila e suas vizinhanças; que entrando a invocar o patrocínio de Eufémia saem despachados e favorecidos.”
O abade de afirma que existia uma primitiva “capelinha, tão pobre como diminuta, quando parecia um lírio naquele monte plantado”, com uma imagem de santa Eufémia “metida numa concha”, que segundo a tradição teria sido mandada construir por Rui Freire de Andrade “capitão-mor general do mar da Índia e do mar Roxo como consta dos comentários das suas façanhas …, escritos por Paulo Craesbeeck com o título de Comentários do grande Capitão Rui Freire de Andrade” pois estando ele e os companheiros “numa poderosa tempestade que no mar experimentaram se lembrassem da então esquecida imagem com bastante conhecimento da protecção da mesma santa se acharam em porto seguro, livres do naufrágio que os ameaçava e chegando a esta vila, nobilíssimo berço de sua fidalguia [---] determinação, como logo o fizeram, erigiu a capela declarada com tanta grandeza se vê, transplantaram aquela sagrada imagem, em tal forma que pela sua grandeza se aumentou a devoção dos povos.”
Sabe-se documentalmente que seu irmão, Lourenço Freire de Andrade, contribuiu para a obra com um grosso legado que teve de ser demandado judicialmente. De facto de, logo após a sua morte, em 1625, o licenciado António de Serpa, capelão de el-rei e abade de São Salvador de Penedono, apresentar um requerimento ao juiz da vila, como procurador do povo, a expor o seguinte: Lourenço Freire de Andrade deixou 100 mil réis «de esmola a Santa Eufêmia para lhe fazerem uma casa», pagos com o pão recolhido nos celeiros. Procurava ele que D. Leonor, viúva do doador, cumprisse o legado, e verificando que o feitor já havia vendido 3 mil alqueires, mais do que se devia ao fisco de el-rei, e que procurava vender mais dos 5 mil alqueires que ainda restavam, pedia se «socrestasse» nos celeiros o pão bastante para cumprimento da esmola prometida.
Quem “mandou fazer a capela-mor da Igreja da mesma Santa” foi “um João Pereira Coutinho que e foi comendador da vila de Sernancelhe de outras mais comendas de cuja certeza se acha um padrão nas costas da mesma capela por cima de um nicho donde está a mesma santa, que com letras redondas declara isto mesmo. Na tribuna da mesma capela onde se acha a perfeitíssima imagem de St.ª Eufémia se vê um letreiro de que foi feita e dourada à custa e por grande zelo de Luís Pereira Coutinho natural desta mesma vila.”
O mesmo abade António da Cruz Figueiredo, em 1758 afirma que “no sítio onde se acha a mesma capela se faz uma feira anual, no dia da mesma santa que é a três de Setembro, aonde se juntam várias pessoas com muitos géneros de comprar e vender.” Esta afirmação levanta-nos alguns problemas pois no dia 3 de Setembro foi celebrada durante alguns séculos a mártir santa Eufémia romana.
Joaquim Azevedo na sua obra “História eclesiástica da cidade e bispado de Lamego” volta a afirmar em 1877 que se faz uma feira no dia de Santa Eufémia junto da capela mas sem dizer nem o dia nem o mês.
Sabemos que desde meados do século XIX até 1913, a administração do santuário esteve ao cargo da Junta de Paróquia de Penedono.
Já em plena República, ao abrigo do decreto-lei de 21 de Abril de 1911, conhecido como “Lei da Separação do Estado das Igrejas” foram os seus bens arrolados a 10 de Maio de 1913 pela Comissão de Concelhia de Inventário de Penedono passando a fazer parte dos bens do Estado, tal como os restantes bens pertença da paróquia de São Pedro de Penedono. Por esta altura a romaria de santa Eufémia já era feita a 15 e 16 de Setembro.
De 1913 a 1938 é a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Penedono a responsável pela posse dos bens do santuário e pela organização das romarias.
Só a 28 de Junho de 1938 é que os bens pertença da igreja de Penedono passaram para a posse da Comissão encarregada do culto Católico da freguesia de Penedono, embora já desde 1928 esta os administrasse.
Só em 1940 com assinatura da Concordata entre o Estado Português e a Santa Sé no dia 7 de Maio, é que a Igreja em Portugal volta a ter estatuto jurídico e pelo decreto nº 30615 de 25 de Julho de 1940 são instituídas a chamadas “Fabricas da Igreja” que em cada paróquia administram os bens pertencentes às paróquias, sendo em todas elas, o pároco o presidente.
Desta forma o Santuário de Santa Eufémia passa a ser pertença da Fábrica da Igreja de Penedono, a qual é responsável pela sua administração e pelo culto.
Em 14 de Outubro de 1955, o bispo de Lamego D. João da Silva Campos Neves, promulga um decreto de erecção de pessoa moral não colegial do Santuário de Santa Eufémia de Penedono, sendo nomeado administrador do santuário o P. João Manuel de Aguiar , pároco de então de Penedono, situação esta que se mantém ate à actualidade.
Em meados da década de 80 do século passado, ainda foi criada uma Comissão de Mordomos que com o pároco administravam o Santuário, independente da Fábrica da Igreja de Penedono, situação que se modificou no ano 1998 altura em que a Fábrica da Igreja de Penedono voltou a assumir todas as responsabilidades na administração e no culto do Santuário, evitando assim tantos dissabores e confusões.
Ao longo de todo e século XX, várias foram as obras realizadas no espaço do santuário, destaco apenas algumas; a construção da torre sineira, a terraplanagem do largo da feira, a electrificação do santuário e de toda a zona envolvente, os poços e fontes, o campo de futebol, a construção das esplanadas inferiores ao adro, o parque infantil e de lazer, a adaptação de vários terrenos a parques de estacionamento, etc, etc.
Também durante, o século XX, o território do santuário foi aumentado, com a compra de várias parcelas de terreno a proprietários vizinhos, permitindo hoje o santuário ter uma área tão significativa de 8 hectares de terreno.
Todas estas obras e compras foram feitas graças ao esforço e dedicação dos párocos que passaram pela paróquia de Penedono e a centenas de homens e mulheres que com eles trabalharam, dando muito do seu tempo e do seu trabalho em prol deste santuário.