Close

Culto à Virgem Mártir Santa Eufémia

O culto à Virgem Mártir Santa Eufémia

O culto à virgem mártir santa Eufémia é tão antigo que é difícil sabermos onde acaba a história e começa a lenda. Em primeiro lugar a origem da escolha. Num universo de tantos mártires e santos, porquê a mártir santa Eufémia? E quem é esta mártir santa Eufémia, que se venera em Penedono? É a de Braga-Ourense, irmã de santa Quitéria e santa Marinha, será Santa Eufémia Romana, ou é santa Eufémia de Calcedónia? As três são mártires e das três sabemos onde se encontram os respectivos corpos: o corpo de santa Eufémia de Braga-Ourense está na catedral de Orense (Galiza), a Romana está sepultada na paróquia de Santa Maria Maior em Dorno – diocese de Vigevano sufragânea da Arquidiocese de Milão em Itália e santa Eufémia de Calcedónia está sepultada em Rovinj (Croácia) numa igreja que lhe é dedicada. Apesar de nos faltarem fontes seguras, mas seguindo a tradição e a iconografia (a presença do leão) a mártir que se venera em de Penedono será a de Calcedónia, uma vez que actualmente é ela a única que aparece no Martirológio Romano promulgado em 2001 pelo papa João Paulo II.
Mas antes de falar de santa Eufémia, convêm elucidar o leitor do significado da palavra mártir que vem do grego “” que significa literalmente testemunho, só com o cristianismo e com as perseguições é que vai ser usado com significado de mártir, aqueles que deram o seu testemunho ao morrer por Cristo, testemunho este de sangue, assim o martírio aparece como forma iminente de santidade cristã. Pelo próprio testemunho de Jesus Cristo, rapidamente os cristãos que se deram conta que o seu mandato trazia consigo uma grandeza trágica: não bastava por em prática o testemunho das suas palavras, havia que dar também o testemunho com o próprio sangue.
Como forma de guardar a memória daqueles que dão da sua vida por Cristo, surge no século II, sendo sobretudo desenvolvido já no século IV um novo género literário; a hagiografia, que recolhe os relatos da vida e tormentos dos vários mártires da Igreja Antiga.
A historicidade da vida da mártir Santa Eufémia de Calcedónia está bem testemunhada nos sermões de alguns bispos do século IV e o dia da sua festa está desde muito cedo presente nos calendários litúrgicos tanto da Igreja do Ocidente como do Oriente, embora na sua passio ou narrativa do martírio, tornada muito popular, se misturem quer os tormentos do seu martírio, quer os milagres extraordinários que envolveram os seus últimos dias de vida e tal como acontece nas vidas de outros mártires da igreja Antiga, não podemos afirmar aquilo que verdadeiramente aconteceu por falta de fontes credíveis.
Mas é já na Idade Média que aparece uma fonte fundamental para a hagiografia e iconografia, pela obra conhecida como Legenda Aurea de autoria do frade dominicano Jacques de Voragine, publicada em 1260, que fixou por escrito a narrativa das vidas e martírios dos santos mais conhecidos até à sua época, na qual está inserida a história da vida da Mártir Santa Eufémia de Calcedónia foi popularizada por toda a Europa.
Santa Eufémia de Calcedónia tem muitas vezes sido confundida com as outras virgens mártires de nome Eufémia cujas festas também se celebram no dia 16 de Setembro, como já foi dito anteriormente.
Sobretudo com a Mártir Santa Eufémia de Orense-Braga, que é natural do actual território de Portugal, e está associada à história das 9 irmãs virgens mártires como sendo uma delas (as 9 irmãs que terão vivido na zona de Braga), perseguidas pelo próprio pai que era o régulo romano daquela área e que não tolerou que as filhas fossem cristãs, tendo-as condenado à morte.
De entre as 9 irmãs, destacam-se os martírios de Santa Quitéria e Santa Marinha, muito populares em Portugal e Espanha. De Santa Eufémia de Orense como é conhecida, consta que terá fugida para a serra do Gerês, onde viveu dois anos, tendo sido perseguida, foi presa, açoutada e em seguida encerrada num cárcere e aí milagrosamente curada por um anjo. Depois, pendurada pelos cabelos numa figueira. Em seguida, precipitada dum alto penedo da serra do Gerês e por fim degolada por volta dos anos 140-50. O seu corpo foi descoberto por uma pastora no ano de 1090, tendo sido levado para a ermida de Santa Marinha em Manín paróquia do concelho de Lobios (Orense – Espanha) até que em 1159 o bispo Pedro II transladou as suas relíquias para a Sé de Orense, onde também existe uma igreja com o seu nome. Parte destas relíquias foram entregues no dia 13 de Setembro de 2009 pelo bispo de Orense às paróquias de Eufémia de Calheiros – Viana do Castelo e de Santa Eufémia de Ambía – Orense (Espanha).